Por
Atualizado em
Harry Potter e sua turma virou parque temático nos Estados Unidos
Harry Potter e sua turma virou parque temático nos Estados Unidos

Pois é, e lá se passaram duas décadas desde que o bruxinho inglês Harry Potter deu as caras na literatura e no cinema mundial, encantando milhões de crianças e  marmanjos também. Hoje não existe no planeta quem não o conheça, já que entrou para o tão cobiçado “imaginário popular”, território vago e irrestrito que abriga desde a Bíblia até o último hit de Rihanna. Das montanhas solitárias do Azerbaijão, passando pelos arranha-céus envidraçados de Manhattan até a paradisíaca Polinésia, todo mundo sabe quem é Harry Potter. E Hermione. E Rony. E os outros personagens do universo mágico idealizado por J. K. Rowling, a criadora de tudo.

Reza a lenda que ela, numa pior, divorciada e na lona, escreveu o primeiro romance da série, “HP e a Pedra Filosofal” vagando de pub em pub numa Londres hostil e chuvosa, procurando calor, companhia e teto. Recentemente JK desmentiu tudo isso: saía andar, sim, com a filha pequena Jessica (tinha uma ordem de restrição contra o então marido) e depois que a criança se cansava entrava em um pub qualquer, para reabastecer as forças e esperar que a criança dormisse. Daí escrevia sim. Admitiu que teve a ideia sobre o primeiro livro durante uma viagem de trem entre Manchester e Londres.

De início, nenhuma editora inglesa quis publicar o manuscrito de Rowling. Acharam “infantil demais”. Oito delas disseram “não”. Até que a Bloomsburry, pequena e dedicada ao público infantil entre 9 e 11 anos, topou. Entregou à autora um cheque no valor de três mil libras adiantadas e em 26 de junho de 1997 sai no Reino Unido “Harry Potter e a Pedra Filosofal” e no começo nadinha acontece. Então, passados dois meses e tanto, uma coisa insólita vira rotina na Inglaterra, revolucionando o pacato mercado editorial londrino: nos ônibus, nos trens, nos aviões, nos pubs, nos aeroportos e nos shoppings ADULTOS eram flagrados com o nariz enfiado no livro, o qual, supostamente, não havia sido escrito para eles mas sim para as crianças, que já tinham consagrado Harry Potter e sua turma. O resto, meus amigos, é História.

Traduzida para 73 idiomas, a série vendeu, até maio de 2015, 450 milhões de exemplares. O último romance, “Harry Potter e as Relíquias da Morte” vendeu 11 milhões de cópias nos Estados Unidos em apenas um dia. Levada para a telona, da saga foram extraídos oito filmes, colocados entre os mais rentáveis da história do cinema. Enlouquecidas, editoras concorrentes da Bloomsburry tentavam desesperadamente contratar novos autores para criar novos personagens calcados em Harry e sua turma, tentativas essas  destinadas ao retumbante fracasso. O único paralelo possível à obra de Rowling tinha sido escrito bem antes: os três livros de “O Senhor dos Anéis”, do professor inglês J.R.R. Tolkien, fonte na qual a própria JK Rowling admite, modestamente, ter bebido.

Hoje, devido ao retumbante sucesso planetário que atingiu, Harry Potter e sua turma virou parque temático nos Estados Unidos, o “The Wizarding World of Harry Potter”, nos terrenos do estúdio Universal. Sua autora, aos 52 anos de idade, ficou famosa, loura, linda e rica, claro: foram-se os tempos de mendigar um cálice de xerez vagabundo nos pubs fedorentos da periferia londrina: casada com um tal de David Murray, acumulou fortuna de mais de 500 milhões de libras esterlinas, de acordo com fontes do jornal Sunday Times. Em 2007, o mesmo veículo elegeu-a como A Personalidade do Ano e em 2010 foi apontada como A Mulher Mais Influente da Grã Bretanha.

E Harry Potter, o aniversariante? Afinal, o que aconteceu com o garoto com a cicatriz em forma de raio no meio da testa, depois que Lord Voldemort foi derrotado na Grande Batalha Final da Bruxaria em Hoghwarts? Ah, claro: Harry casou-se com a insípida Gina, irmã de seu grande amigo Rony, teve um casal de filhos e o mais velho deles, Alvo, o Alvinho, deu as caras no maior bestseller do ano passado, “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada”. O qual, pra variar, vendeu horrores no mundo inteiro e virou peça de teatro.             

  

 

18 visualizações

Espalhe essa notícia

The following two tabs change content below.
Carlinhos Barreiros
O autor é escritor, jornalista, crítico de cinema e literatura. Já lançou o livro de contos "Insânia" (ed-independente, esgotado) e está revisando, no momento, seu segundo livro, também de contos, intitulado "Alana e a Lâmpada Mágica". Atualmente, mora em Piraju, ao lado de seu gato preto, Félix.
Carlinhos Barreiros

Latest posts by Carlinhos Barreiros (see all)

Comentários