Chico Buarque do Brasil

Luis Carlos Luciano Carlinhos Barreiros
Novo disco saiu no dia 25 último

saiu na semana passada (dia 25) o disco novo do cantor, compositor, escritor e autor teatral Chico Buarque, que no início da carreira, em meados de 1966 do século passado ainda acrescentava “de Hollanda” ao seu nome. Com o tempo, a Holanda sumiu e Chico ficou simplesmente Chico Buarque do Brasil.  

“Caravanas”, seu vigésimo terceiro disco de estúdio sai pela Biscoito Fino com 9 faixas, sete delas inéditas: “Dueto” já havia sido gravada por Nara Leão em 1980 e Chico já traçara antes “A Moça e o Sonho”, parceria com Edu Lobo. O disco levou 2 anos sendo gravado e o primeiro clipe de uma de suas canções, “Tua Cantiga”, está bombando na internet e causando polêmica: a letra sugere que maridos devam abandonar esposa e filhos para seguir a amante. Tachado de “machista” pelas habituais patrulhas, Chico fez-se de rogado e ainda disparou, em defesa de sua letra, que “machista é ficar com a mulher e a amante ao mesmo tempo”.

A crítica, atenta a tudo, descobriu referências mil no CD, que vão desde Shakespeare, passando por Albert Camus até desaguar em Johann Sebastian Bach. Culto e erudito por nascimento, o cantor/compositor veio à luz entre livros, provavelmente com o berço na biblioteca da casa. Seu pai, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda, homem erudito e fino, passou ao filho todo amor que tinha pelos livros e pelas Artes em geral, sem exceções. O resultado final culminou num artista refinado, inteligente, de vasta cultura, talento multimídia que consegue adentrar, com imenso sucesso, todas as áreas consagradas das Artes maiores: Música, Literatura e Teatro.

No ano passado, depois do golpe político que destituiu a presidenta Dilma, Chico – que sempre foi PT – terminou sendo hostilizado e crucificado por suas filiações partidárias. Os tais “coxinhas”, atuantes na época e hoje misteriosamente desaparecidos com suas ridículas panelas, acusavam o cantor de “ter um apartamento em Paris”, como se isso fosse o maior dos crimes. A gentinha que formava essas turbas de direita, movida pela inveja e ressentimento, malhava o apê às margens do Sena, morrendo de vontade de também poder morar na França. Vão trabalhar, vagabundos! (parafraseando aqui um dos grandes sucessos de Chico).

Do alto de seus 72 anos, o cantor pouco se lixou para a ululante “elite da hegemonia branca”. Educado e afável, respondia aos ocasionais entreveros com muita classe, ítem que jamais esteve disponível para seus detratores. Foi para Paris, sim, porque ele pode e lá, decerto, aprontou e finalizou essas novas “Caravanas”, cuja letra remete ao período da escravidão no Brasil.

Reza a lenda que Chico, ciente de sua vozinha mixuruca, nunca quis cantar. Mas sua primeira gravadora, a extinta RGE, lhe alertou que cantando suas próprias composições o lucro seria bem maior, já que a parte do cantor desaparecia. Então lá se foi o sr. Buarque de Hollanda, em 1966, perpetrar seu primeiro e antológico LP (vinil) que continha, entre outras, as pérolas “Olê, Olá”, “ A Rita”, “Pedro Pedreiro” e a clássica “A Banda”, vencedora do I Festival da Música Popular Brasileira em 1966 e que lançou o jovem artista ao mundo.

A revista Rolling Stone afirmou que a politizada “Construção” (1971) é “a maior canção brasileira de todos os tempos”, com suas rimas terminando em preparoxítonas. “Geni e o Zepelim”, de 1977, canção que faz parte do espetáculo “A Ópera do Malandro” botava um travesti (a tal Geni do título) para salvar o planeta de um ataque alienígena. Coisa de gênio, para quem, eternamente, “os cães raivosos ladram e as caravanas passam”.          

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