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Sabesp remodela a Forma da Água

Carlinhos Barreiros
Carlinhos Barreiros Carlinhos Barreiros
Imagem ilustrativa
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Levei um choque quando peguei minha conta de água do mês passado. Um choque elétrico, como é comum em coisas que vai água no meio: só intensificam o impacto.

Noventa reais (a conta) para um homem que mora sozinho, não tem piscina e um banheiro só em casa. Meus olhos trincaram e diminuíram de indignação. Confesso que quase chorei de ódio. Deveria ter feito uma bolota infecta da maldita conta e levado lá na sede do órgão, para atirar na cara da atendente. Não ia adiantar muita coisa, mas pelo menos serviria para aplacar um pouco a raiva.

Com o avançar da idade, começo a perceber que tenho sérios problemas para lidar com a raiva. Não aguento mais nada, seja lá de quem venha. Tem troco pra todo mundo, podem esperar. Pena que os engravatados da Sabesp e seus acólitos, os leitores de contas, que determinam os valores de quanto nós vamos pagar todo mês, não estejam nunca disponíveis para um bom bate boca cara a cara. Você vai reclamar com a continha na mão, feito um cachorrinho humilhado e eles vem com a desculpinha esfarrapada de “vazamento”. Realmente já vazou mesmo. A paciência e boa vontade do consumidor.       

Sei exatamente quanto eu deveria pagar de água por mês: 50 reais. Está de muito bom tamanho. Acho caro ainda. E todo mundo sabe também quanto gasta e quanto deveria pagar. Mas infelizmente nos encontramos à mercê de prestadoras de serviço que visam apenas lucros e não querem nem saber de qualquer tipo de integração ou retribuição com aqueles que os mantém no bem bom.  Outro monstro sempre à espreita é a famigerada conta de luz, cada vez mais alta. Temos que confiar em leituras e leitores que sabe-se lá como são treinados ou preparados. A margem de erro, é claro, ninguém nunca informou.

Não vejo TV (aberta) nunca, então não sei nada sobre esse negócio de bandeira vermelha, amarela ou roxa, qual está vigorando, essa farsa montada para enganar os pobres. Sei apenas que, independente da cor da dita cuja, minha conta de luz nunca abaixou, em mês algum. Nesta terrinha atrasada e pobre, rodeada por usina em tudo quanto é lado o mínimo que poderíamos desfrutar seria de eletricidade grátis. Sei que os funcionários das companhias de energia em Piraju não pagam luz. Será que os da Sabesp pagam água? Duvido.

Domingo passado o diretor mexicano Guillermo del Toro levou o Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor para a sua fantasia vintage “A Forma da Água”, sobre faxineira surda-muda que se apaixona por uma criatura anfíbia capturada na Amazônia e mantida em cativeiro nos laboratórios da Guerra-Fria. Ainda bem que del Toro não veio filmar por aqui: os custos com a água estourariam seu mais benevolente orçamento.