Super El Niño pode provocar mais de 857 mil mortes por calor até março de 2027
Projeção do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, estima 26,7 mil mortes adicionais no Brasil. Fenômeno também deve provocar mudanças nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do país.
Foto: Raphael Bezerra O Super El Niño pode provocar cerca de 857,4 mil mortes adicionais relacionadas ao calor em todo o mundo entre junho de 2026 e março de 2027. No Brasil, a estimativa é de 26,7 mil óbitos a mais no período, sendo 19,5 mil nos próximos seis meses. Os dados são de um levantamento do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago.
Segundo a projeção, o calor extremo já teria provocado 484,5 mil mortes adicionais entre junho e setembro deste ano. Outros 372,9 mil óbitos são estimados até março de 2027.
Entre os países com as maiores projeções estão Índia (160 mil mortes), China (85,4 mil), Nigéria (69 mil), Sudão (53,2 mil), Indonésia (49,5 mil) e Brasil (26,7 mil).
No território brasileiro, os efeitos do fenômeno também devem influenciar o regime de chuvas. Enquanto a Região Norte enfrenta o agravamento da seca, com rios em níveis baixos, o Centro-Sul está em alerta para tempestades frequentes e volumes de chuva que podem chegar a 500 milímetros, aumentando o risco de enchentes.
Pico do El Niño deve ocorrer no fim do ano
Projeções da MetSul Meteorologia indicam que o El Niño de 2026-2027 deve atingir seu pico de intensidade em novembro ou dezembro deste ano. Depois desse período, a expectativa é de enfraquecimento gradual do fenômeno, que pode permanecer atuando até fevereiro ou março de 2027.
O fenômeno está relacionado ao enfraquecimento dos ventos alísios, que sopram de leste para oeste na região equatorial do Oceano Pacífico. Com a redução desses ventos, as águas mais quentes se deslocam em direção às regiões central e oriental do oceano, elevando a temperatura da superfície do mar.
O que é o El Niño?
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno altera a circulação atmosférica e pode provocar mudanças nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
Sua ocorrência costuma acontecer em intervalos de cinco a sete anos, com duração que pode variar de um a dois anos. Essas alterações podem favorecer períodos de calor intenso, secas em algumas regiões e chuvas acima da média em outras.




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