Cachoeiras na região: visitantes devem ter cuidado com cabeças d’água

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Na região de Avaré, a Cachoeira do Capão Rico, em Águas de Santa Bárbara, é a mais frequentada

A morte de pelo menos três pessoas arrastadas por uma cabeça d'água em uma cachoeira no Parque Ecológico do Paredão, em Guapé, no sul de Minas, na quarta-feira (1º de janeiro), serve de alerta sobre os perigos de visitar rios e cachoeiras durante a temporada de chuvas que se inicia, segundo especialistas.

Eles afirmam, porém, que há formas de minimizar os riscos — como medir constantemente o nível das águas, evitar se banhar em vales com encostas íngremes e monitorar as nuvens nas cabeceiras dos rios.

A região de Avaré conta com muitas cachoeiras, bastante visitadas por turistas. As mais conhecidas são a Cachoeira do Capão Rico – na Estância Hidromineral de Águas de Santa Bárbara – e a Cascata do Saltinho, em Cerqueira César. Em Botucatu as cachoeiras mais conhecidas são a da Marta e a Véu das Noivas. Há ainda a Cascata do Bairro Pedra Preta em Avaré (foto), pouco frequentada, porém os cuidados devem ser os mesmos.

As cabeças d'água, ou trombas d’água como são chamadas em algumas regiões, costumam ocorrer quando chove na cabeceira (nascente) de um rio, ampliando rapidamente seu fluxo. O nível das águas pode subir vários metros em poucos segundos, como uma espécie de tsunami dos rios. As chances de ocorrência aumentam no período chuvoso, que em boa parte do país coincide com o verão.

O fenômeno acontece quando há rápida elevação do nível de água depois de um temporal somado ao forte calor e alta umidade do ar. De acordo com o meteorologista LizandroGemiacki, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o volume de água pode subir vários metros em pouco tempo, formando uma enxurrada destruidora, sem dar tempo suficiente para que banhistas fujam ou busquem abrigo.

“É uma chuva que acontece nas cabeceiras dos rios e faz com que as cachoeiras levantem o nível rapidamente, pegando as pessoas desprevenidas. É uma tempestade intensa e ocorre como se fosse uma onda arrastando tudo que vem pela frente”, explicou Gemiacki.

Muitas vezes, pessoas são surpreendidas pelas correntezas ao se banhar vários quilômetros abaixo das cabeceiras, sem que haja qualquer sinal de chuva no local onde estão.

"Se o clima está fechado lá em cima, mesmo que embaixo faça sol, já há grandes possibilidades de chegar uma tromba d'água", afirma. Nesse cenário, ele afirma que os banhistas devem sair do rio imediatamente. Às vezes, segundo o bombeiro, é possível ouvir o barulho causado pela tromba d'água instantes antes de sua chegada.

SINAIS DE CABEÇA D’ÁGUA - A presença de folhas secas ou outros materiais flutuantes no rio é outro indício de que uma cabeça d'água possa estar a caminho. Normalmente é possível antever o fenômeno. Porém, como seus indícios são sutis e há pouco tempo para reagir, deve-se manter plena atenção durante a visita a esses locais.

LOCAIS MAIS SUJEITOS - Os lugares mais sujeitos a trombas d'água mortíferas são trechos do rio com encostas íngremes e afastados das nascentes, onde o nível da água tende a subir mais com o aumento da vazão. Já locais próximos às cabeceiras tendem a ser menos perigosos.

FONTE: Jornal A Comarca