Descaso de administradora da Represa de Jurumirim, de Avaré-SP, causa transtornos

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Redação Região
Represa "está sumindo"

O descaso de administradora da Represa de Jurumirim na região de Avaré, interior de São Paulo está causando transtornos à população. A concessionária responsável pelas águas é a CTG Brasil, um braço da multinacional chinesa, China Three Gorges. O grupo já sofreu moção de repúdio dos órgãos governamentais devido aos problemas.

Atualmente, a represa registra a pior escassez de água de sua história, com o nível de apenas 14% da capacidade. Quem trabalha e mora na região contabiliza prejuízos e vivencia um panorama lastimável. Os danos ambientais são verificados, sem que a companhia tome alguma atitude.

O prefeito de Avaré, Jô Silvestre indica que até o ciclo ambiental está sendo duramente afetado. “Estamos sofrendo muito com a baixa da represa, está afetando nosso turismo e principalmente o meio-ambiente. Já fizemos cartas de repúdio e estamos aguardando resposta”, afirmou.

O professor da área de hidrologia e gestão de recursos hídricos da Unicamp, Antônio Carlos Zuffo, aponta que o quadro pode se agravar porque a previsão é que o volume de chuvas diminua. Ele destaca que a captação de água é prejudicada com este retrato atual: “É um nível bastante baixo e isso dificulta a captação de água porque quanto mais baixo o nível do reservatório, ele avança mais para o interior e fica mais distante da cidade”.

Residências às margens da represa são claramente atingidas com o baixo nível das águas. O empresário Alexandre Taniguchi destaca que os setores hoteleiro e imobiliário também são duramente impactados. “Tem vários hotéis que aproveitam o potencial das empresas e estão sendo impactados. Além disso, não só a frequência dos turistas, mas dos imóveis e loteamentos turísticos que estão sofrendo com baixa nos valores e isso causa preocupação”, disse.

A sobrevivência de muitos estabelecimentos da região está diretamente ligada à Represa de Jurumirim. Avaré é tida como uma das principais estâncias turísticas do país. O receio é de que a situação se deteriore ainda mais, se nenhuma providência for tomada.

Com a falta de solução por parte da concessionária CTG Brasil, que administra a represa, dezenas de praticantes de esportes náuticos estão impedidos de ir para as águas. O temor é que os equipamentos sejam danificados durante as atividades, sem contar o risco de lesões.

A matéria é da Radio e Portal JP "Jovem Pan"