Beto Louco é denunciado pelo MP-SP por suposta adulteração de combustíveis
Foto: Reprodução O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou 16 pessoas por suspeita de integrar uma organização criminosa que teria desviado metanol para adulterar combustíveis na Grande São Paulo entre 2017 e 2025. Entre os denunciados está o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, natural de Avaré e apontado pela Promotoria como um dos principais financiadores do suposto esquema.
A denúncia foi apresentada pelo Gaeco de Guarulhos e envolve acusações de organização criminosa, lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis, crimes tributários e contra o consumidor, estelionato, falsidade documental e crimes ambientais.
Segundo o MP-SP, empresas como Aster, Copape e Duvale teriam sido utilizadas para movimentar recursos e adquirir metanol de forma regular, com documentos que indicavam sua utilização na produção de biodiesel ou produtos químicos. O produto, porém, teria sido desviado para o setor de combustíveis e misturado irregularmente à gasolina ou ao etanol.
A investigação estima que mais de 10 milhões de litros de metanol tenham sido movimentados pelo grupo. Transportadoras, empresas químicas, instituições de pagamento e fundos de investimento também teriam sido utilizados para dificultar o rastreamento dos recursos.
O caso teve como um dos pontos de partida uma ocorrência registrada em maio de 2023, quando a Polícia Rodoviária Federal apreendeu uma carga de metanol com um dos investigados. A partir daí, as autoridades passaram a apurar um possível esquema sistemático de desvio do produto.
Beto Louco
De acordo com o MP-SP, Roberto Augusto Leme da Silva teria utilizado empresas para movimentar valores milionários e atuado como um dos principais financiadores da organização. O empresário já havia sido citado em investigações anteriores relacionadas ao setor de combustíveis.
A defesa de Beto Louco contesta as acusações e afirma que ele não teria relação com os fatos descritos na denúncia. Segundo os advogados, o empresário ainda não havia tido acesso integral aos autos quando se manifestou sobre o caso.
Em maio deste ano, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, rejeitou uma proposta de delação premiada apresentada pelo empresário. Segundo integrantes do Ministério Público, o material foi considerado insuficiente.
A denúncia reúne elementos de diferentes investigações, incluindo as operações Boyle e Carbono Oculto.
O caso será analisado pela Justiça, que decidirá se recebe a denúncia e abre processo criminal contra os acusados. Até uma eventual decisão condenatória, todos permanecem na condição de denunciados e têm direito à presunção de inocência.





COMENTÁRIOS