Usina Hidrelétrica libera mais de 450 m³/s acima da vazão média histórica

Volume de água do Rio Paranapanema exige abertura de comportas e vertedouro; CBA afirma que a usina opera normalmente e não identifica risco para as próximas 48 horas

Fonte: portal Sudoeste Paulista
Usina Hidrelétrica libera mais de 450 m³/s acima da vazão média histórica Fotos: Registrada por Luiz Carlos

As chuvas persistentes que atingem as regiões Sudeste e Sul do país têm elevado os níveis dos rios e demais mananciais do Sudoeste Paulista, mesmo durante o período tradicionalmente associado à estiagem. Com os solos encharcados, nascentes, córregos, ribeirões, rios e represas apresentam níveis elevados, cenário que preocupa diante da proximidade do período chuvoso.


Na Estância Turística de Piraju, onde o Rio Paranapanema atravessa o perímetro urbano, o volume de água exige a abertura das comportas e do vertedouro da Usina Hidrelétrica (UHE) Piraju.


Questionada pelo Portal, a assessoria de imprensa da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), responsável pela usina, informou que a unidade opera normalmente e que, até o momento, não há indicação de risco relacionado à elevação das vazões do Rio Paranapanema para as próximas 48 horas.


Vazão supera em mais de 450 m³/s a média histórica

Abaixo da usina, o Rio Paranapanema forma uma forte corredeira entre grandes rochas, trecho utilizado para a prática de esportes aquáticos radicais. No entanto, devido ao volume de água acima do habitual para esta época do ano, as atividades esportivas estão suspensas. Estruturas de madeira utilizadas por turistas e atletas apresentam partes danificadas, e o acesso ao local está bloqueado para visitação.


De acordo com os dados fornecidos pela CBA, no sábado (17 de outubro), às 12h, a UHE Piraju registrava vazão afluente — volume de água que chega à usina — de 610,20 m³/s. Já a vazão defluente, correspondente ao volume liberado, era de 617,82 m³/s.


A Média de Longo Termo (MLT) da vazão natural na região da usina é de aproximadamente 156 m³/s. Dessa forma, a vazão liberada naquele momento estava cerca de 462 m³/s acima da média histórica, o que representa quase quatro vezes o volume médio de referência.


O levantamento realizado pelo Portal, com base em números divulgados pela CBA na internet, também aponta que a vazão registrada supera patamares de referência associados ao estado de atenção. A avaliação, porém, depende dos critérios operacionais e hidrológicos aplicáveis à usina e ao trecho do rio.


Operação depende das condições do Rio Paranapanema

A CBA esclarece que a Usina Hidrelétrica de Piraju funciona no modelo denominado fio d’água. Nesse sistema, a geração de energia ocorre sem grande capacidade de armazenamento próprio, e a operação acompanha, em grande medida, os volumes de água que chegam à estrutura.


Por isso, as vazões da UHE Piraju variam conforme as condições hidrológicas do Rio Paranapanema e a operação de outras usinas localizadas a montante, especialmente as hidrelétricas de Jurumirim e Chavantes, que contribuem para o armazenamento de água e o controle dos volumes liberados ao longo da cascata de reservatórios.


CBA afirma que estruturas são monitoradas 24 horas

Apesar da elevação das vazões, a companhia afirma que as estruturas da usina permanecem seguras e são monitoradas 24 horas por dia.


A empresa informou ainda que acompanha continuamente as condições operacionais, meteorológicas e hidrológicas da região e que comunicará as autoridades competentes caso sejam identificadas alterações no cenário que exijam providências.


Enquanto isso, o aumento do volume do Rio Paranapanema reforça a necessidade de atenção às condições dos mananciais e ao cumprimento das restrições de acesso às áreas interditadas.





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